O Dilema de "O Dilema das Redes Sociais”



O Dilema de "O Dilema das Redes Sociais”

Um olhar no filme recomendado por RM, "O Dilema das Redes Sociais"

13.11.2020



No dia 4 de outubro, RM, do BTS, atualizou o Weverse com um "o que estou assistindo", onde recomendou o filme original Netflix: "O Dilema das Redes Sociais". Parte documentário e parte drama, o filme torna clara a influência que YouTube, Facebook, Twitter, e outras redes sociais — e, por tabela, seus algoritmos — possuem na vida de seus usuários. O filme critica a forma que os algoritmos, criados de forma que exponham os usuários à propagandas, levaram a sérios problemas sociais como o sensacionalismo ou polarização. Como o filósofo Sófocles disse, “Nada grandioso entra nas vidas dos mortais sem uma maldição,” e agora, essa busca por ganhos a curto prazo nas mídias sociais nos prenderam nesse “dilema social” de uma cultura que é impossível manter.


Ao destacar os efeitos prejudiciais das mídias sociais, o filme procura conscientizar ao efetivamente mostrar o quão epidêmica a questão se tornou. Ao mesmo tempo, entretanto, ao focar especificamente em mídias sociais como o alvo de suas críticas, O Dilema das Redes Sociais cria um dilema próprio, apagando o contexto social no qual surgiu o problema. Por exemplo, apesar do filme demonstrar "dismorfia de Snapchat" ao analisar o perfil de uma adolescente apegada à sua imagem alterada por filtros, ele negligencia a obsessão com a aparência há tempos fomentada pela mídia tradicional. O mesmo é verdade na maneira com a qual o filme lida com polarização política. Mídias sociais, como o filme sugere, podem ser manipuladas ou abusadas para fins políticos, mas também podem dar voz para adolescentes marginalizados que não possuem direito de voto, e direcionar movimentos globais contra um autoritarismo injusto. Mas o filme só nos avisa dos males trazidos sobre a democracia pelas mídias sociais, e peca em mencionar as limitações da democracia existente em mídias em massa. Por esse motivo, as soluções propostas no filme, incluindo a autodisciplina necessária para desativar notificações e limitar seu tempo olhando as telas, assim como leis que impõem taxação de impostos sobre os dados coletados e seus devidos usos, são no mínimo indiferentes. O New York Times salienta defeitos na maneira que o filme “confunde dois alvos distintos de crítica: a tecnologia que causa comportamentos destrutivos e a cultura descontrolada do capitalismo que a produz." Ao escrever para o Guardian, John Naughton, um professor na Open University no Reino Unido, critica como o filme falha "em explicitar corretamente o motor que move essa indústria que aproveita da psicologia aplicada para explorar fraquezas e vulnerabilidades humanas."


"Como você acorda da Matrix quando não sabe que está dentro dela?" Existe um motivo pelo qual Tristan Harris revê essa questão da cultura pop no Dilema das Redes Sociais. Antes de resolvermos um problema, precisamos ser capazes de reconhecê-lo. Isso se aplica não só às mídias sociais em si, mas aos inúmeros aspectos de nossa vida que permitimos que sejam perturbados pelas mídias sociais.



TRIVIA


Matrix

Lançado em 1984, o romance de ficção científica de William Gibson, Neuromancer, criou o conceito de "matrix", um gigantesco banco de dados de realidade virtual. Matrix, o filme de sucesso de 1999, pegou emprestado o termo e o propagou para uso comum. No filme, a Matrix é um programa de realidade virtual moldada pela IA que controla o mundo a fim de utilizar os humanos como fonte de energia. Já que a Matrix regula seus sistemas nervosos, quase todos os humanos acreditam que a existência que vivenciam seja o mundo real, e por isso são incapazes de perceber a realidade.


Tradução: Dani

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